terça-feira, 3 de setembro de 2019

Superávit da balança comercial chega a US$ 3,284 bilhões em agosto, alta de 23,7%

Foi o maior saldo para meses de agosto desde 2017. No acumulado do ano, superávit chega a US$ 31,759 bilhões



          A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 3,284 bilhões em agosto, uma alta de 23,7% em relação ao saldo do mesmo mês do ano passado, que foi de US$ 2,775 bilhões. Os dados foram divulgados pela Secretaria Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia (Secint/ME) nesta segunda-feira (02/09).

"É o maior superávit para meses de agosto desde 2017", frisou o subsecretário de Inteligência e Estatísticas de Comércio Exterior, Herlon Brandão, na entrevista coletiva realizada no Ministério da Economia, em Brasília (DF), para comentar os números. No acumulado de janeiro a agosto, o superávit chega a US$ 31,759 bilhões.


Balança do mês

           No mês, a exportação brasileira alcançou US$ 18,853 bilhões, uma retração de 8,5% em relação a agosto de 2018, e de 1,7% sobre julho de 2019, pela média diária. Já as importações totalizaram US$ 15,569 bilhões, um recuo de 13,3% sobre o mesmo período de 2018 e de 8,4% em relação ao mês anterior. A corrente de comércio em agosto foi de US$ 34,422 bilhões, 10,8% a menos do que no mesmo mês do ano passado.

           De acordo com Herlon Brandão, as quedas tanto de exportação quanto de importação em agosto de 2019 foram influenciadas por uma base de comparação alta, já que, em agosto de 2018, houve a exportação de uma plataforma de petróleo no valor de US$ 1,3 bilhão e a importação de outra plataforma de US$ 2 bilhões. Sem a compra e a venda dos equipamentos, as exportações teriam quedas reduzidas para 2,7% e as importações cairiam 2,6%, em relação aos valores registrados em agosto de 2018.

Acumulado do ano

          A corrente de comércio no acumulado do ano alcançou US$ 265,947 bilhões, um recuo de 4,2%, pela média diária, sobre o mesmo período anterior, quando totalizou US$ 279,125 bilhões.

            As exportações de janeiro a agosto foram de US$ 148,853 bilhões, queda de 5,2% sobre 2018. Já as importações, no período, somaram US$ 117,094 bilhões, recuo de 2,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, de US$ 121,230 bilhões.

Exportações

          As exportações de agosto foram impulsionadas pelas vendas de produtos básicos (US$ 10,347 bilhões), manufaturados (US$ 6,166 bilhões) e semimanufaturados (US$ 2,313 bilhões). Sobre o ano anterior, diminuíram as exportações de produtos manufaturados (-25,8%) e aumentaram as vendas de semimanufaturados (14,4%) e básicos (2,5%).

           Com exceção da plataforma exportada no mesmo período do ano passado, segundo Brandão, o que motivou a queda das vendas ao exterior em agosto de 2019 foram principalmente: a redução dos embarques de soja, em função da redução da demanda mundial; a queda nas vendas de automóveis, por conta da crise da Argentina; e a redução dos preços internacionais de petróleo, que caíram 24%. 

       No acumulado de janeiro a agosto, em relação ao mesmo período de 2018, diminuíram as exportações de manufaturados (-9,5%) e semimanufaturados (-0,9%), enquanto que aumentaram as vendas de produtos básicos (+0,7%).

Compradores

        Em relação aos mercados compradores, cresceram as vendas para África (+14,8%), Oriente Médio (+9,5%) e Estados Unidos (+3%). Já para América Central e Caribe (-80,1%), Mercosul (-35,6%), Oceania (-19,3%), União Europeia (-8,8%) e Ásia (-0,3%) as exportações diminuíram no mês.

          Os cinco países que mais compraram do Brasil em agosto foram China, Hong Kong e Macau (US$ 5,588 bilhões); Estados Unidos (US$ 2,312 bilhões); Argentina (US$ 793 milhões); Países Baixos (US$ 726 milhões) e Japão (US$ 493 milhões).

Importações

        A redução das importações em agosto foi puxada pelo recuo das compras de bens de capital (-35,0%), combustíveis e lubrificantes (-34%), bens de consumo (-7%) e bens intermediários (-2%).

        Já no acumulado de janeiro a agosto, sobre mesmo período do ano passado, houve queda das importações de bens de capital (-16,5%), bens de consumo (-5,5%), combustíveis e lubrificantes (-3,7%), mas aumentaram as compras de bens intermediários (+1,9%). Do lado da importação, além da plataforma, houve menor demanda no mercado interno por petróleo e derivados e automóveis.

Fornecedores

         Os mercados fornecedores que se destacaram no mês foram Estados Unidos (+24,2%) e União Europeia (+6,1%), com aumentos na comparação com agosto do ano passado. Já de outros mercados houve redução das importações da África (-55,5%), Oceania (-53,1%), América Central e Caribe (-51,3%), Oriente Médio (-39,8%), Ásia (-28,9%) e Mercosul (-20,8%).

        Os cinco principais países fornecedores foram Estados Unidos (US$ 3,132 bilhões), China, Hong Kong e Macau (US$ 2,998 bilhões); Alemanha (US$ 987 milhões), Argentina (US$ 825 milhões) e México (US$ 415 milhões).