O e-commerce brasileiro encerrou a era do crescimento a qualquer custo para focar na última linha do balanço. Dados da 11ª edição da pesquisa NuvemCommerce, estudo da Nuvemshop, maior plataforma de e-commerce do Brasil e América Latina, indicam que operações mais estruturadas já operam com margens consolidadas, sinalizando uma nova fase de eficiência operacional no varejo. No recorte de marcas em expansão, 27% já registram lucro entre 20% e 30%, enquanto 25% operam com margens entre 10% e 20%.
O estudo identifica que a sustentabilidade financeira está diretamente ligada à escala e à previsibilidade do negócio. Ao atingir o patamar de faturamento acima de R$ 20 mil mensais, o panorama muda significativamente: apenas 2% das marcas afirmam ainda não gerar lucro. Em contrapartida, a parcela de operações com margens acima de 50% também cresce, alcançando 10% deste grupo.
A diferença entre os dois grupos sugere que, conforme o e-commerce ganha escala e previsibilidade, a discussão deixa de ser “como se tornar lucrativo” e passa a ser “como otimizar a margem existente”. Fatores como custos logísticos, eficiência operacional, mix de produtos e investimentos em marketing tornam-se variáveis importantes para sustentar a rentabilidade no médio e longo prazo.
“Em operações no modelo de venda direta ao consumidor(D2C – Direct-to-Consumer), o lojista consegue reunir recursos de gestão, pagamentos e logística em um único ambiente. Essa integração contribui para decisões mais eficientes e para a otimização das margens ao longo do tempo”, afirma Alejandro Vázquez, co-fundador e CEO da Nuvemshop.
O estudo também aponta que o chamado “lucro zero” nem sempre indica fragilidade financeira. Em muitos casos, especialmente na fase de tração, o resultado positivo é integralmente reinvestido no próprio negócio. “O capital gerado é direcionado para reforço de estoque, testes de novos canais de aquisição de clientes e ganho de participação de mercado, em uma estratégia deliberada de financiar o crescimento com recursos próprios”, explica.
A seguir, os detalhes das margens de lucro por segmento:
Margem de lucro de e-commerces em geral
- Não apuro meu lucro: 4,7%
- Meu negócio ainda não gera lucro: 17,8%
- Menos de 10%: 14,4
- Entre 10% e 20%: 15,9%
- Entre 20% e 30%: 16,4%
- Entre 30% e 40%: 12,4%
- Entre 40% e 50%: 8,6%
- Mais de 50%: 9,8%
Margem de lucro de e-commerces em expansão*
- Não apuro meu lucro: 5,1%
- Meu negócio ainda não gera lucro: 2,3%
- Menos de 10%: 7,4%
- Entre 10% e 20%: 25%
- Entre 20% e 30%: 27,3%
- Entre 30% e 40%: 16,5%
- Entre 40% e 50%: 6,3%
- Acima de 50%: 10,2%
*E-commerces que faturam acima de R$ 20 mil ao mês.
Para e-commerces mais consolidados, o equilíbrio do caixa e a otimização da margem passam, obrigatoriamente, por uma gestão financeira rigorosa. O lojista deste segmento precisa deixar de lado a gestão “por instinto” e adotar a gestão “por dados”. Neste sentido, a saúde financeira passa a ter relação com o domínio do fluxo de caixa e do DRE (Demonstrativo do Resultado do Exercício), gestão inteligente do capital de giro e otimização da margem na operação, que passa por gestão de estoque, custo logístico e conversão do funil.
“Em 2026, a saúde financeira dos e-commerces dependerá da capacidade do lojista de transformar dados em decisões. Não basta ter margem, é preciso ter margem sustentável. E isso exige excelência em gestão de fluxo de caixa, alocação inteligente de capital e uma busca incansável por eficiência operacional”, conclui.
A 11ª edição do estudo NuvemCommerce combina a análise do desempenho de milhares de lojas da Nuvemshop ao longo de 2025 com uma pesquisa quantitativa realizada com 1.500 empreendedores brasileiros entre outubro e dezembro do ano passado.




















0 comentários:
Postar um comentário