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segunda-feira, 29 de junho de 2026

Otimismo seletivo: empresários confiam mais no próprio negócio do que no país



O humor do empresariado brasileiro em 2025 é marcado por um contraste evidente. De um lado, cresce a percepção de deterioração da economia e aumenta o pessimismo em relação ao cenário nacional. De outro, a confiança no próprio negócio segue relativamente preservada. O resultado é um otimismo seletivo, sustentado menos por fatores macroeconômicos e mais pela crença na capacidade individual de gestão e adaptação.

É o que mostra a pesquisa “Gestão e confiança do empresário”, realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas. Segundo o levantamento, 59% dos empresários ainda acreditam no crescimento de seus negócios nos próximos seis meses, embora esse índice represente uma queda de 10 pontos percentuais em relação a 2024.

Ao mesmo tempo, o ambiente externo inspira desconfiança: apenas 39% se dizem confiantes ou muito confiantes na economia brasileira, enquanto 30% estão pessimistas, alta de 8 pontos percentuais frente ao ano anterior. Para metade dos entrevistados, a economia do país piorou ou piorou muito nos últimos seis meses.

Confiança voltada para dentro

A leitura dos dados mostra que o empresário brasileiro passou a separar, de forma clara, o destino da própria empresa do desempenho do país. Entre os que se declaram otimistas em relação ao negócio, 45% atribuem essa confiança ao próprio empenho, 33% à qualidade dos produtos ou serviços oferecidos e 27% a uma expectativa geral de melhora futura.

Chama atenção, porém, o baixo índice de empresários que associam o otimismo a mudanças estruturais na gestão: apenas 18% afirmam estar investindo ativamente em profissionalização. Isso indica que a confiança está muito mais ligada ao esforço pessoal e à resiliência do empreendedor do que a estratégias estruturadas de crescimento.

Na prática, o empresário acredita que conseguirá “dar um jeito”, mesmo em um ambiente adverso.

Crescimento com freio puxado

Apesar da confiança declarada, o comportamento revela cautela. A pesquisa aponta que 61% dos empresários não pretendem contratar crédito nos próximos três meses, e apenas 12% consideram buscar empréstimos ou financiamentos. O dado sugere uma postura defensiva, com foco na preservação do caixa e no controle de riscos.

Essa cautela também se reflete na gestão financeira: 45% das empresas realizaram cortes no orçamento, 25% enfrentaram meses consecutivos no vermelho, 19% lidaram com dívidas em atraso e 15% precisaram demitir funcionários no primeiro semestre do ano. Ou seja, a confiança no negócio convive com limitações reais de fluxo de caixa e capacidade de investimento.

Ambiente hostil, empresa resiliente

Entre os empresários pessimistas em relação ao futuro, os motivos são claros e recorrentes. 54% citam a situação política e econômica do país, 38% apontam vendas baixas, 38% mencionam as dificuldades de empreender no Brasil e 29% afirmam não ter recursos para investir. Os entraves estruturais — como carga tributária elevada, custos trabalhistas e dificuldade de acesso ao crédito — seguem no centro das preocupações.

Ainda assim, mais da metade das empresas relatou algum sinal positivo no primeiro semestre: 51% tiveram aumento de vendas ou faturamento, 48% investiram no crescimento do negócio e 34% conseguiram formar alguma reserva financeira. Os dados mostram que há esforço e reação, mesmo em um cenário instável.

O que emerge da pesquisa é a imagem de um empresariado mais pragmático. Não há euforia, tampouco otimismo generalizado. O que existe é uma confiança contida, concentrada no controle do que está ao alcance do empreendedor: operação, relacionamento com clientes e ajustes internos.

O empresário brasileiro entra no segundo semestre de 2025 acreditando menos no país, mas ainda apostando na própria capacidade de resistir, adaptar e seguir em frente. Um otimismo seletivo, sustentado mais pela resiliência do que pelo ambiente — e que ajuda a explicar por que tantos negócios continuam operando, mesmo sob pressão constante.

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