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terça-feira, 27 de outubro de 2020

PIB brasileiro deve encolher cerca de 4,2% em 2020, projeta CNI

O Informe Conjuntural mostra que o ritmo de crescimento da economia deverá ser forte no terceiro trimestre, mas perderá força nos últimos três meses deste ano. Documento analisa emprego, taxa de juros, câmbio e inflação


A Confederação Nacional da Indústria (CNI) prevê crescimento de 9% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, no terceiro trimestre, em relação aos três meses anteriores, devido à forte recuperação da economia entre julho e setembro. O PIB industrial deve crescer 10% nessa mesma comparação. No entanto, a retomada no período não será capaz de reverter a queda anual na quantidade de bens e serviços produzidos pelo Brasil. 

Segundo o relatório Informe Conjuntural: 3º trimestre 2020, da CNI, a economia nacional deve encolher 4,2% em 2020. A previsão para o PIB industrial é de queda de 4,1%. O presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, explica que a recuperação da crise está sendo rápida, mas não se pode confundir recuperação dos efeitos da crise com retomada do crescimento econômico. 

Para Andrade, o crescimento econômico acima do patamar pré-pandemia não está garantido. A redução dos estímulos adotados para a economia atravessar o período mais agudo da crise desencadeada pela pandemia do novo coronavírus terá um efeito contracionista relevante e, se ocorrer de forma apressada, tende a prejudicar a recuperação, com impacto no consumo e no emprego.

A redução progressiva dos estímulos fiscais do período da pandemia tornará visível as barreiras estruturais que o País enfrenta. Antes da crise, o País mostrava falta de competitividade, por isso, sem avanços na agenda de reformas, em especial da tributária, a economia brasileira não sairá da armadilha da renda média”, afirma o presidente da CNI, lembrando que a CNI apresentou ao governo federal, em setembro, o documento Propostas para a retomada do crescimento econômico, com 19 medidas elaboradas pelo setor industrial para a recuperação da economia.


Andrade afirma que a retração foi grave, com enormes prejuízos às empresas e aos trabalhadores, mas a atividade econômica vem avançando, ainda que aos poucos. “A questão que se põe, neste momento, é como acelerar essa retomada, adotando medidas para estimular um crescimento mais vigoroso e sustentado ao longo do tempo, com investimentos e criação de empregos”, diz.
Reforma tributária é prioridade para o Brasil voltar a crescer

A reforma tributária, diz o presidente da CNI, é prioridade. O sistema tributário brasileiro precisa ser mais simples, eficiente, sem cumulatividade e alinhado com as boas práticas internacionais. O modelo atual limita a competitividade e distorce a estrutura produtiva do país. “O sistema tributário brasileiro é, dentro os fatores do Custo Brasil, o que mais pesa na competitividade das empresas e do país. Sem uma reforma, esse obstáculo não será vencido”, explica.

Quando foi atingida pela pandemia, a economia brasileira ainda não tinha reencontrado o caminho do crescimento e acumulava queda de mais de 6% do PIB em dois anos, 2015 e 2016, registrou expansão pouco superior a 1% nos anos seguintes. A produção industrial está estagnada desde 2010.

Desta forma, a CNI entende que a retomada do crescimento econômico da indústria brasileira depende da redução do Custo Brasil e do aumento do investimento, com foco no ganho de produtividade. Andrade avalia que a retomada da agenda de reformas manterá a confiança do mercado elevada e reduzirá incertezas, sendo um auxílio adicional na fase de transição.
Últimos meses do ano devem seguir em trajetória de recuperação do emprego

Em termos de saldo de emprego formal, a expectativa é que o segundo semestre mostre retomada do emprego até novembro. Dezembro normalmente registra saldo líquido negativo de empregos, o que vai fazer com que, apesar da recuperação do segundo semestre, o resultado anual de empregos com carteira não se afaste muito do resultado acumulado até agosto, de cerca de 850 mil postos de trabalhos fechados.

O retorno de parte mais expressiva da população à força de trabalho deve fazer com que a taxa de desemprego suba. Apesar disso, a CNI estima que mais pessoas consigam se reinserir no mercado de trabalho e estima que a taxa média de desocupação fique em 13,5%, em 2020, 1,6 ponto percentual acima do registrado em 2019, quando alcançou 11,9% da força de trabalho.
Taxa básica de juros em baixo patamar incentiva a demanda e reduz custo do crédito

O Informe Conjuntural aponta que o spread bancário e as taxas de juros do setor financeiro bancário acompanharam o movimento queda da Selic. O spread bancário para pessoa jurídica caiu de 9,6 pontos percentuais, em janeiro, para 6,9 pontos percentuais, em julho. E a taxa de juros para a pessoa jurídica saiu de 14,8% ao ano para 10,7% ao ano, na mesma base de comparação. 

Entre os motivos estão os programas emergenciais, estruturados por meio do compartilhamento de risco de crédito. O Copom sinalizou que há espaço residual para um novo corte da Selic ainda este ano, que dependerá da trajetória das contas públicas e da avaliação sobre o comportamento futuro da taxa de inflação. Além disso, na avaliação da CNI, a interrupção do afrouxamento monetário será mantida nas próximas duas reuniões, de outubro e dezembro, e a taxa básica de juros encerrará 2020 em 2% ao ano. 
Inflação segue abaixo da meta, mas dá sinais que demandam atenção

A CNI avalia que os próximos meses não devem trazer risco de descontrole inflacionário que possa ameaçar o alcance da meta de inflação no ano. Entretanto, há sinais de alerta na dinâmica dos preços no varejo em função da aceleração já registrada nos preços ao produtor.
Real é a moeda que mais se deprecia entre emergentes

O real foi uma das moedas que mais se depreciou durante o período mais agudo da crise. Entre janeiro e maio de 2020, o real teve a maior queda, 23,9%, frente a uma cesta ampla de moedas, segundo dados de taxa de câmbio real efetiva do BIS (Bank for International Settlements). Ao lado do real, se destacaram com as maiores depreciações as moedas de outros emergentes: México (-18,0%), África do Sul (-17,7%) e Rússia (-10,2%). 
Deterioração das contas externas é interrompida pelos efeitos da pandemia e déficit deve continuar a se reduzir até o fim do ano

Diante do quadro de recessão mundial projetado para 2020, com recuos de 4,9% da economia mundial e de 11,9% do comércio mundial de bens, segundo o FMI, o horizonte para as exportações brasileiras é de dificuldades até o fim do ano, em especial para a indústria. 

O melhor desempenho das exportações de produtos básicos não será forte o suficiente para evitar a queda das exportações frente a 2019. As importações, por sua vez, devem se manter em queda na comparação com o ano passado, considerando a queda esperada para a atividade doméstica no ano. 

O saldo da balança comercial de bens esperado para 2020, segundo estimativa da CNI, é de US$ 56,4 bilhões, com recuo das exportações de 6,5%, para US$ 210,7 bilhões e das importações de 13%, para US$ 154,3 bilhões.
Auxílio a estados e municípios compensa queda nas receitas dos governos regionais 

As receitas dos governos regionais tiveram crescimento real de 2,3% no acumulado até agosto, em relação ao mesmo período de 2019. Esse aumento só foi possível graças à transferência de R$ 55,2 bilhões do governo federal, como auxílio aos estados e municípios no período. Sem esses recursos, as receitas regionais teriam registrado queda de 7%. 

Nos últimos meses, a arrecadação de ICMS, principal fonte de recursos dos governos regionais, tem crescido. No mês de agosto, a arrecadação desse imposto apresentou crescimento real de 3,1%, em relação ao mesmo mês do ano anterior. Em relação as despesas desses entes, a CNI estima que essa variável tenha apresentado crescimento real de 1,2% no acumulado do ano até agosto, em relação ao mesmo período de 2019. 

O crescimento das receitas mais do que compensou o aumento das despesas no período, levando os governos regionais a um superávit primário de R$ 27,1 bilhões no acumulado do ano até agosto.


Fonte: CNI
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